Ministrante: Verônica Angyalossy (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 07, 08 e 09 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: Venha descobrir.... Será abordado o hábito lianescente, as diferentes formas de escalada sob um suporte, geralmente arbóreo, para alcançarem o dossel, onde florescem e frutificam. Outro aspecto muito importante a ser trabalhado será seu sistema vascular capaz de abranger longas distâncias, entre o solo e o dossel. Muitas das lianas possuem um sistema vascular secundário diferente do padrão, câmbio formando xilema secundário para o interior e o floema secundário para o exterior, diferenciando diferentes tipos de variações vasculares, muitas vezes caracterizando famílias. O curso será teórico-prático.
Ministrantes: Daniel Martins dos Santos (IB-USP) e Rafael Delcourt de Seixas Ferreira (UNESP) - Lattes
Oferecimento: 06, 07 e 08 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Este curso aborda a história evolutiva dos dinossauros desde seu surgimento no Triássico até a extinção no limite K/Pg, explorando os principais eventos de extinção e transições faunísticas do Mesozóico. São discutidas a diversidade e os grandes grupos de dinossauros ao longo do tempo geológico, com ênfase nas adaptações morfológicas e ecológicas que marcaram cada período. Uma atenção especial é dedicada ao registro fóssil brasileiro, destacando as localidades e táxons mais relevantes para a compreensão da paleobiodiversidade gondwânica. O curso apresenta ainda os principais métodos em paleontologia de vertebrados, integrando técnicas tradicionais de campo e laboratório a abordagens modernas.
Ministrante: Bruno Fancio Lima (PIEC-USP) - Lattes e Marcelo Monetti Pavani (FFLCH-USP) - Lattes
Oferecimento: 06, 07 e 08 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: “A Origem das Espécies”, de Charles Darwin (1809-1882), publicado em 1859, é considerado um dos livros mais importantes já escritos e, portanto, é uma obra fundamental para a consolidação das Ciências Biológicas. Poucos estudantes de graduação, porém, leem-no ao longo de sua formação. Este curso visa preencher essa lacuna, trazendo uma análise detalhada da obra. Assim, iremos explicar como Darwin escreveu o “Origem” e em quais evidências se baseou para chegar em sua teoria; analisar a estrutura do livro, que reflete o objetivo de explicar a evolução por meio da seleção natural; abordar os principais argumentos mobilizados pelo naturalista em cada capítulo; analisar as alterações pelas quais a obra passou ao longo de suas seis edições; e compreender a sua recepção, que até hoje reverbera nos mais diferentes ambientes acadêmicos e não acadêmicos. O foco final do curso será nas possibilidades didáticas de aplicação dos argumentos do “Origem” no Ensino de Ciências.
Ministrante: Mariana Dias Guilardi (PPG Bioinformática-USP) - Lattes
Oferecimento: 07, 08 e 09 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: Python tem sido uma linguagem de programação amplamente utilizada em análises de dados, com diversas aplicações para dados biológicos. Neste curso vamos utilizar uma planilha com dados coletados de pinguins da Antártica para introduzir a manipulação de dados e visualizações gráficas no Python. Não é necessário conhecimento prévio, apenas vontade de aprender!
Iremos abordar a sintaxe e conceitos básicos de Python, como: o que são variáveis e seus tipos, operadores aritméticos e relacionais, como manipular caracteres, como inserir dados, quais são as estruturas de dados, como importar e usar funções de bibliotecas, análises de estatística descritiva e como criar gráficos.
O curso será executado no Google Colab, ferramenta que requer somente um computador com acesso à internet e uma conta Google (G-mail).
Ao final da atividade, é esperado que as pessoas participantes tenham organizado uma planilha usando somente códigos em Python e que possam apresentar visualizações.
Ministrante: Laura Pereira Furquim (MAE USP) - Lattes.
Oferecimento: 06 e 07 de Outubro, das 9h às 12h.
Resumo: Este minicurso irá abordar métodos, técnicas e teorias da Arqueologia em sua interface com a Botânica e a Ecologia. A partir da identificação taxonômica e tafonômica de vestígios microscópicos carbonizados de sementes e frutos, de grãos de amido e de ácidos graxos recuperados em sítios arqueológicos, é possível reconstituir práticas de cultivo, processamento e consumo de plantas no passado. Ao mesmo tempo, o estudo diacrônico de fitólitos presentes no solo nos possibilita visualizar formas de transformação de paisagens, que por vezes deixam legados na estrutura florestal contemporânea. Estes temas serão abordados principalmente a partir de pesquisas conduzidas na Amazônia, e tem por objetivo fornecer um panorama inicial dos potenciais de interface entre a Biologia e a Arqueologia.
Ministrante: Mariana Fernandes (Secretaria Municipal de Educação) - Lattes e Marina Pires Corrêa dos Santos (IPA) - Lattes.
Oferecimento: 05 e 06 de Outubro, das 14h às 17h.
Resumo: Você já imaginou o mundo sem os fungos? É mesmo difícil a gente pensar como seria a vida no planeta sem esses organismos degradadores da matéria orgânica, recicladores de nutrientes e que, ainda por cima, nos dão pão, vinho e cerveja! Se você quiser saber um pouco mais sobre esse maravilhoso grupo de organismos, sobre o que é funga, e tudo mais o que a gente puder falar sobre os fungos, eu te convido a estar nesse espaço da semana da Bio! Vamos tentar discutir um pouco sobre a biologia, história evolutiva, ecologia e a diversidade desses seres únicos num bate papo bem descontraído, além de conhecer um pouco do trabalho dos micólogos taxonomistas, seres humanos que se debruçam sobre o estudo dos cogumelos e das orelhas de pau, durante atividades práticas. Sem fungo não tem floresta! Respira fungo e vamo!
Ministrante: Thiago Silva Loboda (MZUSP) - Lattes.
Oferecimento: 05 e 06 de Outubro, das 14h às 17h.
Resumo: A divisão Batoidea, muitas vezes ranqueada como infraclasse ou superordem, é o clado que abrange todos os peixes cartilaginosos conhecidos popularmente como arraias ou raias. É um clado monofilético, e hoje considerado como grupo irmão dos atuais tubarões, divisão Selachii. Existem inúmeras características morfológicas que demonstram o monofiletismo do clado, dentre elas as cartilagens sinarcual e antorbital são as mais conhecidas. Hoje, a divisão é composta por quatro ordens, sendo elas: Rhinopristiformes (raias-viola, peixes-serra), Torpediniformes (raias treme-treme), Rajiformes (raias de profundidade) e Myliobatiformes (raias-de-espinho). O minicurso está voltado para a origem, evolução e diversidade do grupo, com ênfase nas quatro ordens atuais, sendo que será abordado também aspectos da biologia e conservação dos batoidea. Uma prática com representantes das quatro ordens será feita na parte final dos dois dias de minicurso.
Ministrante: Ingrid Ávila da Costa (Oceanus) - Lattes.
Oferecimento: 07 e 08 de Outubro, das 14h às 17h.
Resumo: O minicurso “Origem, diversidade e evolução de crustáceos” tem como objetivo apresentar uma visão integrada acerca da história evolutiva, diversidade morfológica e importância ecológica dos crustáceos dentro dos Arthropoda. Serão discutidas características morfológicas gerais, padrões de organização corporal e adaptações associadas aos diferentes modos de vida, além da diversidade dos principais grupos taxonômicos. O minicurso também irá explorar o papel ecológico dos crustáceos em diferentes ecossistemas, sua relevância econômica e sua contribuição para estudos em evolução, sistemática e monitoramento ambiental.
Ministrante: Ana Paula Gomes Bispo (MZUSP) - Lattes e José Eduardo Serrano Villavicencio (MZUSP) - Lattes
Oferecimento: 05 e 06 de Outubro, das 14h às 17h.
Resumo: A Morfometria Geométrica (MG) é uma abordagem analítica que estuda, de forma numérica, como a forma e o tamanho de estruturas biológicas se relacionam com fatores covariantes, tais como o ambiente, a genética, o desenvolvimento ou a evolução. A MG se beneficia intensamente dos avanços da tecnologia digital e da computação gráfica, oferecendo ferramentas robustas para coletar, visualizar e analisar dados morfológicos em um arcabouço estatístico rigoroso. A combinação entre potência analítica e visualizações intuitivas permitiu que a MG se consolidasse como uma das metodologias mais difundidas nas Ciências Biológicas nas últimas décadas. Apesar da crescente e abundante literatura sobre o tema, iniciantes com pouca experiência em análise numérica frequentemente enfrentam dificuldades para compreender os fundamentos da MG e familiarizar-se com suas aplicações práticas. Este curso tem como objetivo oferecer uma introdução acessível e conceitualmente clara às técnicas mais utilizadas da MG, com ênfase em métodos baseados em pontos de referência (landmarks) e na superposição de Procrustes. Para isso, serão apresentadas breves introduções teóricas seguidas de numerosos exemplos práticos, incluindo análises estatísticas básicas, todos realizados em programas gratuitos e de interface amigável.
Ministrante: Matheus Lau Damasceno (USP) - Lattes e Luan Fávero Montes (USP) - Lattes
Oferecimento: 06 e 07 de Outubro, das 19h às 22h.
Resumo: O negacionismo científico, fake news e a pseudociência nos parecem problemas intrínsecos ao desconhecimento da população sobre ciência e à falta de compreensão de como a ciência é construída, em meio a desinformação. Mas e quando essas práticas são propostas por pessoas ligadas ao fazer científico, como podemos ensinar que a ciência é confiável? Neste minicurso, discutiremos subsídios teórico-práticos para que educadores apresentem as ciências como uma construção social-colaborativa, destacando elementos que as tornam passíveis de veracidade. Recorremos a momentos de discussão conceitual sobre as práticas científicas e anticientíficas, o ensino de ciências como prática social e a articulação destes conceitos para promoção do entendimento sobre as ciências na educação Básica e Superior, interagindo com casos históricos/contemporâneos para sua compreensão, a partir de uma abordagem gamificada do tipo investigação de cena, idealizada para simular a dinâmica real da comunidade científica.
Ministrante: Viviane Abreu
Oferecimento: 05 e 06 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Como o cérebro humano envelhece? O envelhecimento cognitivo representa apenas declínio ou envolve também adaptação e reorganização neural? Este minicurso propõe uma discussão contemporânea sobre neuroplasticidade, reserva cognitiva, conectividade cerebral, funcionalidade e envelhecimento humano, integrando neurociência, comportamento e experiência cotidiana. Serão abordadas alterações cognitivas típicas e patológicas, mecanismos de compensação cerebral e desafios atuais da ciência do envelhecimento.
Ministrante: Amanda Gonçalves Bendia (IO-USP) - Lattes
Oferecimento: 08 e 09 de outubro, das 14h às 17h.
Resumo: Este minicurso tem como objetivo apresentar o fascinante mundo das arqueias marinhas, microrganismos que habitam alguns dos ambientes mais extremos do planeta, como o oceano profundo, fontes hidrotermais e regiões polares. Ao longo do minicurso, abordaremos quem são as arqueias, onde vivem e como conseguem sobreviver em condições consideradas extremas, como altas pressões, baixas temperaturas e ausência de luz. Também discutiremos seu papel nos ciclos biogeoquímicos, sua importância ecológica e o que esses organismos podem nos ensinar sobre a origem da vida e a possibilidade de vida em outros planetas. O minicurso combina conceitos teóricos com exemplos de pesquisas atuais, incluindo estudos realizados por nosso grupo em expedições oceanográficas em oceano profundo e na Antártica, utilizando ferramentas moleculares como DNA ambiental e metagenômica. Serão abordados aspectos fundamentais da diversidade, evolução e metabolismo das arqueias, com destaque para seu papel nos ciclos biogeoquímicos e sua relevância na compreensão dos limites da vida na Terra.
Ministrantes: Gabriela Procópio Camacho(MZUSP) - Lattes
Joyce Rodrigues (MZUSP) - Lattes
Oferecimento: 08 e 09 de outubro, das 14h às 17h.
Resumo: O minicurso apresentará a museômica como uma área que integra coleções biológicas, curadoria, digitalização e geração de dados genômicos a partir de espécimes preservados em museus. Serão abordados o histórico das coleções como infraestrutura científica, o conceito de espécime estendido, os principais métodos utilizados em museômica e suas aplicações em taxonomia, sistemática, filogenômica, biogeografia e conservação. A atividade terá caráter introdutório, voltado a estudantes de graduação, combinando exposição conceitual, exemplos práticos e discussão sobre como espécimes de museu podem gerar novas perguntas científicas na era genômica.
Ministrantes: Julia Pinheiro Chagas da Cunha - Lattes, Ana Paula - Lattes, Pedro Lima - Lattes, Mariana Lotério - Lattes
Oferecimento: 05 e 06 de outubro, das 14h às 17h.
Resumo: A atividade abordará aspectos da regulação gênica e epigenética em tripanossomatídeos, com foco em Trypanosoma cruzi, agente causador da Doença de Chagas. Serão apresentados conceitos gerais sobre organização da cromatina, modificações pós-traducionais de histonas, regulação da transcrição, organização genômica 3D e abordagens experimentais e computacionais utilizadas para estudar esses processos. Também discutiremos como ferramentas como proteômica, transcriptômica, genômica, edição gênica por CRISPR/Cas9 e análises bioinformáticas contribuem para compreender a biologia do parasito e sua diferenciação. A proposta é integrar uma introdução teórica com exemplos de projetos desenvolvidos pelo nosso grupo de pesquisa, TrypChromics, permitindo que os alunos conheçam aplicações atuais da biologia molecular e da epigenética no estudo de parasitas.
Ministrantes: Felipe Simionato Salles - Lattes e Leandro de Brito Gonçalves - Lattes
Oferecimento: 07 e 08 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Na biologia pós-NGS, análises computacionais são indispensáveis ao profissional biólogo. Contudo, o primeiro contato com dados NGS é muitas vezes intimidador devido à barreira da linha de comando. Este minicurso propõe-se a desmistificar a bioinformática, focando na introdução ao tema e no uso de ferramentas de alto padrão na literatura científica. A proposta está em conferir ao aluno um contato inicial para metodologias de bioinformáticas, preparando-o para os desafios reais da pós-graduação e do mercado biotecnológico. O objetivo é fornecer uma introdução teórico-prática às ferramentas essenciais de bioinformática. Faremos um apanhado dos softwares mais importantes de bioinfo para análises evolutivas e de NGS, de forma que os alunos saibam: Compreender, revisar e saber manipular arquivos (.fasta, .fastq, .sam/bam, .newick, etc); 1. Navegar no NCBI, executar alinhamentos de sequências e inferências filogenéticas (BLAST, MAFFT, IQTree) -> Primeiro dia; 2. Compreender conceitos básicos de Genômica (Qualidade e Anotação) -> Primeiro dia; 3. Compreender conceitos básicos de transcriptômica: alinhamento contra genoma de referência e quantificação de expressão -> Segundo dia.
Ministrantes: Jaewon Yoon - Lattes, Rhuana Valdetário Médice - Lattes
Monitora: Lígia Akemi Mizuyama - Lattes
Oferecimento: 05 e 06 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: Como saber escolher revistas adequadas para meu trabalho? E como formatar de forma rápida e intercambiável? O minicurso “Meu primeiro artigo: escolha de revistas científicas e formatação por LaTeX” consiste em dois módulos: estratégia de publicação e formatação LaTeX. No módulo de estratégia de publicação serão discutidos conceitos fundamentais como o Fator de Impacto (JCR), o sistema Qualis Capes, as opções Open Access, a importância de verificar o escopo editorial, público-alvo da revista e os recentes problemas de transparência dos peer reviews. O módulo também abordará sobre comunicação científica, a ética na publicação e como identificar e evitar revistas predatórias. No módulo de formatação por LaTeX (processador de texto para escrita científica, garantindo estabilidade, tipografia profissional e facilidade no manuseio de fórmulas complexas) será abordado os conceitos básicos e as vantagens e limitações da ferramenta. Também abordará a estrutura do documento, pacotes para área de biologia, elementos gráficos e gerenciamento de bibliografia.
Ministrantes: Marcos de Freitas Mortara - Lattes
Oferecimento: 07 e 08 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Costela-de-adão, comigo-ninguém-pode, lírio-da-paz, antúrio e ervilha-d’água pertencem à mesma família: Araceae. O que essas plantas têm em comum revela uma família marcada por contrastes, que inclui desde algumas das menores angiospermas conhecidas até inflorescências de grande porte e alta complexidade estrutural. A atividade tem como objetivo apresentar os principais gêneros de Araceae que ocorrem no Brasil, abordando aspectos de identificação, conservação e cultivo. O minicurso será dividido em dois momentos: um bloco teórico, com introdução à família, histórico de pesquisa, atualizações taxonômicas recentes e perspectivas de estudo; e um bloco prático, com dinâmica de identificação utilizando materiais frescos, exsicatas e registros da plataforma iNaturalist.
Ministrantes: Maria Eduarda de Lima Vieira (IB-USP) - Lattes, Otoniel Gonçalves de Lima (IB-USP) - Lattes, Laura Camila Cabanzo Olarte (IB-USP) - Lattes e Vinicius Queiroz Araújo (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 07 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: A mudança climática, o aumento da temperatura média diária e a frequência de eventos extremos de temperatura (calor ou frio) são provavelmente os maiores distúrbios antropogênicos enfrentados pelos sistemas naturais no século XXI. Mudanças nas temperaturas ambientais podem influenciar ajustes fisiológicos e comportamentais (atividade, desenvolvimento, reprodução e sistema imune frente a doenças emergentes). Os animais ectotérmicos são o grupo mais suscetível a mudanças de temperatura, pois suas funções fisiológicas básicas são fortemente influenciadas pela temperatura do ambiente. Apesar da plasticidade de alguns grupos ectotérmicos, poucas espécies conseguem evitar os efeitos deletérios do aumento da temperatura. Isso ocorre devido à falta de tolerância térmica ao aquecimento, visto que, em geral, a temperatura crítica máxima da espécie é evolutivamente conservada. Além disso, em muitos casos, sua capacidade de dispersão é reduzida, o que pode levá-los a desaparecer em virtude do novo regime climático. Se considerarmos que a grande maioria (pelo menos 95%) dos animais são ectotérmicos, os efeitos das mudanças climáticas sobre a diversidade animal serão devastadores. Portanto, o objetivo desse microcurso é abordar quais são os efeitos das mudanças climáticas e as respostas fisiológicas e comportamentais em diversos grupos de animais ectotérmicos. Para isso, contaremos com quatro falas de especialistas na ecofisiologia de animais ectotérmicos aquáticos e terrestres. Na primeira fala, abordaremos os efeitos da atividade humana sobre a fisiologia e o comportamento das formigas. Na segunda, abordaremos os possíveis impactos de desafios térmicos sobre a fisiologia de abelhas sem ferrão. Na terceira fala, o foco será o estudo de respostas comportamentais em anuros doentes. Por fim, na última apresentação, será exposto como os equinodermos respondem aos desafios ambientais resultantes do aumento da temperatura da água do mar. Após as falas, teremos um momento de discussão coletiva que nos permitirá analisar os achados em diferentes grupos de animais. Compreender, debater e expor até que ponto animais ectotérmicos podem lidar com aumentos da temperatura ambiental são atividades cruciais para prever os padrões futuros de diversidade, abundância e distribuição das espécies. Logo, esperamos que essa atividade enriqueça o conhecimento dos participantes sobre um tema urgente e atual na biologia.
Ministrantes: Cássia de Souza Siqueira Cesar (IB-USP) - Lattes e André Coppe Pimentel (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 07 De outubro, das 09h às 12h
Resumo: Este microcurso será dividido em três partes, que avançam da contextualização histórico-teórica às implicações práticas do estudo das interações hospedeiro-simbionte. Na primeira parte, de caráter introdutório, vamos explorar conceitos básicos sobre a biologia de bactérias e entender o que é a simbiose, abordando-a no contexto das interações ecológicas entre bactérias e insetos. Em seguida, na segunda parte, discutiremos como bactérias simbiontes podem influenciar a ecologia e a evolução dos insetos, com destaque para seu efeito mutualístico ao proteger insetos contra inimigos naturais. Por fim, na terceira parte, abordaremos como essas associações contribuem para padrões de variação geográfica e adaptação local, conectando fatores ambientais, genéticos e simbióticos. Ao longo do microcurso, algumas etapas serão conduzidas de forma interativa, com o uso de perguntas-problema que estimulem a participação ativa e a construção coletiva do conhecimento
Ministrante: Hieza Schleweis (IBRAG-UERJ) - Lattes
Oferecimento: 09 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: A alta mortalidade de mudas em plantios de restauração é um dos principais desafios técnicos da área e está frequentemente associada ao estresse hídrico. Isso levanta questões centrais: o que torna uma espécie mais resistente ou vulnerável à seca? Como prever seu desempenho em campo? A ecologia funcional oferece caminhos para essas respostas, por meio de atributos funcionais ligados às estratégias hidráulicas das plantas. Essas ferramentas podem qualificar os critérios de seleção de espécies para plantios, tornando a restauração ecológica mais eficaz e resiliente às mudanças climáticas. Neste microcurso, exploraremos os principais métodos para caracterizar estratégias hidráulicas de plantas e discutiremos como integrá-las à ecologia da restauração. Ao final, será possível avaliar criticamente o papel desses métodos na eficácia dos plantios de restauração.
Ministrantes: Laura Camila Cabanzo Olarte (IB-USP) - Lattes, Patricia Silva de Camargo (IB-USP) - Lattes e Thaysa Gomes de Oliveira (IB-USP) - Lattes
Monitora: Emilly Souza da Costa (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 08 De outubro, das 09h às 12h
Resumo: A capacidade de humanos e animais não humanos se comunicarem por meio da linguagem ou de sinais acústicos ao longo da evolução permanece um tema central de investigação em todo o mundo. Nesse contexto, o projeto SPEC – Innovations in Human and Non‑Human Animal Communities foi criado para integrar áreas como biologia, neurociência, linguística, arqueologia e primatologia, promovendo um ambiente colaborativo focado nos mecanismos biológicos e cognitivos da comunicação e da linguagem. Essa integração exigiu o desenvolvimento de uma linguagem comum, a harmonização metodológica e a formulação de perguntas transversais, permitindo que hipóteses sobre a linguagem humana dialogassem com dados empíricos provenientes da comunicação animal. Assim, algumas das frentes de pesquisa estabeleceram pontes entre a neurociência humana e a comunicação acústica de anuros. Embora representem sistemas de complexidades distintas, humanos e sapos compartilham princípios gerais de produção, percepção e organização de sinais sonoros, e os anuros oferecem um modelo relevante para investigar o processamento acústico em contextos ecológicos e sociais. Apesar dos desafios teóricos e metodológicos, este minicurso tem como objetivo compartilhar a experiência de trabalho e pesquisa relacionadas a diferentes questões sobre cognição e comunicação em humanos e anuros. Pretende-se também demonstrar como o debate sobre as bases biológicas da comunicação e as continuidades evolutivas tem sido ampliado, além de evidenciar que o diálogo interdisciplinar é essencial para avançar na compreensão evolutiva da linguagem e da comunicação. Sob essa perspectiva, serão realizadas quatro palestras iniciais. A primeira apresentará o trabalho de neurocientistas e linguistas sobre o processamento da semântica em humanos. A segunda palestra abordará como esse conhecimento dialoga com a sintaxe em anuros, mostrando o potencial para o estudo de padrões neurais e da forma como os anuros percebem estímulos acústicos. Como produto dessa interface, surge uma terceira palestra, que apresenta a hipótese de que a linha lateral constitui um sistema sensorial indispensável em anuros aquáticos. Por fim, a quarta palestra discutirá a importância do estudo da sintaxe a partir de bancos de dados de vocalizações de sapos, demonstrando como essas ferramentas podem ajudar a definir novas perguntas para compreender melhor o conceito de sintaxe em anuros sob uma abordagem linguística.
Ministrante: Carolina Eva Padilha (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 05 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Esta atividade será uma introdução ao campo da arqueogenética, com foco nas pesquisas sobre o povoamento das Américas. Na primeira parte, serão apresentados os principais métodos utilizados na arqueogenética, incluindo técnicas de extração, análise e interpretação de DNA antigo. Na segunda metade, serão discutidos estudos arqueogenéticos realizados no continente americano, abordando hipóteses, descobertas e contribuições dessas pesquisas para a compreensão das migrações humanas e do povoamento americano.
Ministrante: Jean Carlos dos Santos da Luz (Instituto de Câncer do Estado de São Paulo - ICESP) - Lattes
Oferecimento: 07 De outubro, das 14h às 17h
Resumo: Cães e humanos compartilham muito mais do que afeto: compartilham ambientes de convívio, carcinógenos e até respostas terapêuticas semelhantes. Neste microcurso, exploramos a oncologia comparada de forma prática e integrada, partindo de um elemento cotidiano, o cigarro, para compreender como a exposição ambiental aos químicos presentes no cigarro e outros carcinógenos impactam tanto a saúde humana quanto a de animais de estimação. Discutiremos exemplos de tumores com correlação interespécie, abordando fisiopatologia, epidemiologia e o potencial translacional do cão como modelo espontâneo de câncer. A atividade inclui uma parte prática com simulação de exposição tabágica, observação de lâminas de microscopia e análise de casos clínicos comparados, estimulando o raciocínio diagnóstico e a visão de saúde única. Indicado para estudantes e profissionais das áreas de medicina veterinária, medicina humana e demais pessoas com interesse em ciências biomédicas.
Ministrante: Gabriel Vasquinho Ferrari (UNICAMP) - Lattes
Oferecimento: 05 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: O ensino de botânica sofre diversos desafios de engajamento e, principalmente, de valorização na formação de estudantes e no contexto da docência. Essa discussão dialoga com a literatura científica sobre Impercepção Botânica (termo que substituiu a expressão “Cegueira Botânica” em razão do caráter capacitista do termo anterior) e seus efeitos negativos na formação escolar e no ensino superior. A botânica é uma área que sustenta os temas centrais da Biologia, como biodiversidade e sustentabilidade. No entanto, apesar de sua importância, frequentemente ocupa um lugar periférico na atenção de muitos estudantes. A negligência desse problema pode gerar uma lacuna significativa na formação básica, e a literatura internacional indica que essa problemática não se restringe ao Brasil. O cenário destacado acima, à primeira vista, parece paradoxal, uma vez que os laços estabelecidos entre seres humanos e plantas surgem antes mesmo do próprio estabelecimento das sociedades humanas. As plantas têm um papel essencial em nossa história: alimento, abrigo, medicação, utensílios e práticas culturais que evidenciam a complexidade dessa coexistência. Ao observarmos contextos fora do âmbito escolar, é possível notar que o "verde" é amplamente valorizado, da busca por parques e trilhas ao cultivo de plantas domésticas. Essa valorização se reflete em diversos âmbitos culturais, sendo comumente representada nas artes visuais, por exemplo. Sob essa perspectiva, o “paradoxo” em questão é historicamente produzido pela forma como a botânica é escolarizada. No processo de estruturação de instituições de ensino no país, muitas escolhas curriculares se basearam em moldes europeus, com destaque para o modelo francês, que ocupava uma posição de centralidade científica nos séculos XVIII e XIX. Nesse mesmo período, alguns autores de fora do Brasil defendem que a botânica apresentou sua “era de ouro”, marcada por intensa produção e circulação de obras. Também se ampliaram as expedições de naturalistas voltadas à catalogação de espécies, muitas com enfoque botânico. Nesse contexto, difundiu-se a expressão “Scientia Amabilis” (Ciência Amável), associada a Carl Linnaeus, para enfatizar a dimensão estética e intelectual do estudo vegetal. Portanto, a construção dos programas de ensino sofreu influência direta desse cenário: privilegiou-se o estudo das estruturas vegetais, a descrição de espécies e as nomenclaturas, compondo uma botânica escolar de caráter enciclopédico e utilitarista. Para compreendermos esse quadro, é importante destacar que o acesso à escolarização formal no período era concentrado em uma elite dominante. Saberes e práticas populares sobre plantas foram frequentemente deslegitimados no meio acadêmico. Na perspectiva histórica, pode-se afirmar que esses conhecimentos foram repudiados (da Inquisição à perseguição colonial), incluindo no Brasil, onde o estudo de plantas, a depender de quem o praticava, era rotulado como prática de “feitiçaria africana”. Isso nos leva à seguinte pergunta: qual é a botânica que ensinamos na escola? Trata-se, portanto, de epistemicídio: ao hierarquizar saberes, a escola silencia práticas e culturas que também produzem conhecimento sobre plantas. No microcurso, em exposição dialogada e discussão dirigida, pretendo mapear essas narrativas históricas e discutir caminhos para um ensino de botânica que fuja do modelo eurocêntrico ainda hoje hegemônico.
Ministrante: Thais Lemos (Instituto Butantan)
Oferecimento: 06 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: As toxinas dos animais são, ao mesmo tempo, instrumentos de defesa e predação, como também uma sofisticada biblioteca de moléculas bioativas já produzidas pela natureza. Neste microcurso, você será convidado a explorar como compostos capazes de causar efeitos severos no organismo podem, sob a perspectiva da ciência, se transformar em ferramentas valiosas para a saúde humana. Ao longo do curso, discutiremos os fundamentos da bioprospecção de toxinas de animais, abordando desde a diversidade biológica, até os mecanismos moleculares que tornam essas toxinas altamente específicas e potentes. A proposta é compreender como essas moléculas são investigadas, caracterizadas e avaliadas em diferentes contextos experimentais, além de realizarmos um momento mais leve e interativo a partir da leitura de um artigo científico, com enfoque na bioprospecção. A ideia é levantar reflexões sobre o tema e explorar como a pesquisa é construída. Mais do que aprender conceitos, a atividade busca provocar curiosidade e ampliar o olhar sobre a relação entre biodiversidade, ciência e inovação.
Ministrante: Mario Pedrazzoli (EACH-USP) - Lattes
Oferecimento: 07 de outubro, das 14h às 17h
Resumo: O sono é um fenômeno biológico essencial à vida, presente em praticamente todos os organismos. Este microcurso aborda o sono de forma interdisciplinar, integrando biologia, neurociência, medicina, psicologia e ciências sociais. Serão discutidos os mecanismos que regulam o sono e os ritmos circadianos, mostrando como luz, ambiente e comportamento sincronizam nossos relógios biológicos e resultam em saúde ou doença. O curso explora a estrutura do sono, sua relação com consciência, memória, sonhos e organização cerebral, além de apresentar a evolução do sono como necessidade fisiológica. Também analisa o sono como fenômeno social, discutindo a influência histórica dos relógios e os impactos da sociedade contemporânea sobre nossos ritmos biológicos. Por fim, serão abordados os principais transtornos do sono, suas conexões com a saúde mental, diagnósticos e tratamentos, destacando a importância do sono para saúde, cognição e qualidade de vida.
Ministrante: João Paulo Limongi França Guilherme (IB-USP) - Lattes
Oferecimento: 06 de outubro, das 9h às 12h.
Resumo: O avanço das tecnologias de análise genômica tem ampliado significativamente as possibilidades de aplicação dos testes genéticos em diferentes áreas, incluindo o esporte. A identificação de variantes genéticas associadas ao desempenho físico e esportivo, à predisposição a lesões e a capacidade do organismo de responder ao treinamento têm despertado o interesse de pesquisadores, treinadores, atletas e entusiastas do esporte e do exercício físico. Em teoria, a informação genética poderia facilitar a adesão e orientar a prática. Entretanto, apesar do entusiasmo em torno da “genômica esportiva”, ainda existem importantes limitações científicas, éticas e práticas que precisam ser consideradas. Este microcurso propõe discutir o estado atual das evidências científicas sobre testes genéticos no esporte, explorando suas aplicações, limitações metodológicas e implicações éticas. Serão abordados os principais achados da literatura, os desafios na interpretação dos resultados e as perspectivas. O objetivo é promover uma visão crítica e equilibrada sobre o tema, contribuindo para o seu uso responsável e cientificamente fundamentado no ambiente esportivo.
Ministrante: Anderson Luiz dos Santos (Escola de Botânica) - Lattes
Oferecimento: 06 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: Como as plantas podem transformar nossas formas de ensinar e aprender? Pedagogia das plantas propõe uma aproximação entre botânica, educação, filosofia e experiência para investigar o que o mundo vegetal pode nos ensinar sobre tempo, cuidado, relações e vida em comunidade. Ao longo do encontro, serão apresentados conceitos, reflexões e experiências que ampliam a percepção sobre as plantas para além de uma perspectiva exclusivamente biológica, explorando modos de aprendizagem inspirados nas formas de existência do mundo vegetal.
Ministrantes: Cecília Damiano - Lattes, Livia Cano - Lattes, Michela Borges - Lattes
Oferecimento: 06 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: Os equinodermos são muitas vezes considerados metazoários estranhos, em virtude por exemplo, da pentarradialidade desenvolvida secundariamente, catálogo fóssil enorme e bizarro e formas corporais diferentes de quaisquer outras criaturas desafiando nossos conceitos de vida. São animais exclusivamente marinhos com representantes encontrados em costões rochosos, praias, baías, entremarés e mar profundo. Equinodermos possuem papéis ecológicos fundamentais na cadeia alimentar dos ecossistemas costeiros. O propósito deste microcurso é apresentar as principais características deste grupo incrível de animais marinhos, a partir de aulas teóricas e práticas. Ainda, o público terá acesso a fotos, vídeos e exposição dos equinodermos mais estranhos e extraordinários como: estrelas-do-mar com 40 braços, serpentes-do-mar carnívoras, ouriços-do-mar em forma de coração, pepinos-porco-do-mar, florestas de lírios-do-mar, ossículos de pepinos-do-mar, serpentes-do-mar como modelos para robôs, entre outros.
Ministrantes: Rafael Barty Dextro - Lattes
Oferecimento: 05 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: Uma forma de vida notável que causou mudanças globais e ocupa todos os habitats do planeta? Não estou falando dos seres humanos, mas sim das incríveis cianobactérias! Este grupo de procariotos fotossintetizantes tem uma história evolutiva singular e apresenta dezenas de adaptações fisiológicas que os tornam singulares. Estudos científicos focam em entender sua ecologia, mapear seus genomas, descrever suas toxinas e organizar sua taxonomia extremamente complexa. Nesta apresentação, conheceremos um pouco mais desses seres fantásticos, explorando ferramentas e metodologias para seu estudo.
Ministrantes: Carla Romano Taddei - Lattes
Oferecimento: 08 de outubro, das 19h às 22h
Resumo: A microbiota humana constitui um complexo ecossistema formado por microrganismos que habitam diferentes sítios do corpo, como intestino, cavidade oral, pele e trato vaginal. Nesse ambiente, ocorrem diversas interações entre os microrganismos, o hospedeiro e os fatores ambientais, desempenhando papel fundamental na manutenção da saúde e na modulação do sistema imunológico. O termo microbiota refere-se à comunidade de microrganismos presentes no hospedeiro, enquanto microbioma corresponde ao conjunto de seu material genético. Durante os primeiros 1.000 dias de vida, desde a gestação até os dois anos de idade, fatores como intercorrências maternas, alterações alimentares e uso de medicamentos podem influenciar o estabelecimento dessas comunidades microbianas, afetando a microbiota do recém-nascido e, consequentemente, o desenvolvimento do sistema imune. Alterações nesse período têm sido associadas ao surgimento de doenças inflamatórias, alérgicas, metabólicas e autoimunes ao longo da vida. Neste microcurso, serão abordadas evidências científicas sobre a ecologia da microbiota humana, suas interações com o sistema imunológico e seu papel na manutenção da saúde e no desenvolvimento de doenças, destacando também a contribuição das tecnologias de sequenciamento de nova geração (NGS) para a caracterização das comunidades microbianas e o estudo das interações microbiota-hospedeiro.
Ministrantes: Renata Pagotto (TMC Consultoria Ambiental) - Lattes
Oferecimento: 07 de outubro, das 12h às 14h
Resumo: A palestra irá abordar a atuação de biólogos na interseção entre o desenvolvimento de empreendimentos e a conservação da biodiversidade. Iniciaremos com um panorama histórico do licenciamento ambiental no Brasil, destacando as principais legislações e marcos legais que regem a proteção da fauna. Iremos tratar da dinâmica do licenciamento trifásico (Licenças Prévia, de Instalação e de Operação), contextualizando em quais etapas as ações de campo acontecem. O principal ponto abordado será do Programa de Resgate de Fauna, em que discutiremos a sua indispensabilidade como medida de mitigação de impactos diretos e o seu potencial para a ciência. Por fim, trataremos da relevância e os desafios técnicos dos processos de reabilitação e soltura responsável, essenciais para garantir o bem-estar e o efetivo retorno dos animais silvestres ao habitat natural.
Ministrantes: Júnia Schultz (CENA-USP) - Lattes
Oferecimento: 08 de outubro, das 17h às 19h
Resumo: A busca por vida além da Terra frequentemente evoca imagens de planetas distantes, oceanos subterrâneos e missões espaciais de alta tecnologia. No entanto, uma das chaves mais poderosas para responder à pergunta “estamos sozinhos no Universo?” já está aqui, invisível a olho nu: os microrganismos extremófilos. Esta palestra propõe uma mudança de perspectiva ao colocar a microbiologia no centro da exploração espacial, mostrando como a vida microscópica redefine os limites do que consideramos possível, habitável e biologicamente viável. A partir de ambientes extremos terrestres, como desertos, lagos hipersalinos, regiões polares, vulcões, fontes hidrotermais, mar profundo, áreas com elevada radiação e condições de escassez extrema de nutrientes, serão discutidos os mecanismos adaptativos que permitem a sobrevivência microbiana sob estresses físicos e químicos severos. Aspectos fisiológicos, metabólicos e genômicos serão explorados para compreender como esses organismos toleram ou até prosperam em condições hostis de baixa disponibilidade de água, altas concentrações de sais e metais, temperaturas extremas, radiação ionizante, vácuo e microgravidade. A palestra também abordará experimentos realizados em plataformas espaciais, simuladores ambientais e missões orbitais, que demonstram a capacidade de microrganismos sobreviverem, se adaptarem e até modificarem seu metabolismo no espaço. Esses resultados desafiam conceitos clássicos sobre os limites da vida e ampliam o espectro de ambientes potencialmente habitáveis em corpos celestes como Marte, e as luas geladas, Europa e Encélado. Ao mesmo tempo, levantam questões fundamentais sobre biossegurança planetária, contaminação interplanetária e o papel dos microrganismos como passageiros inevitáveis da exploração humana do espaço. Além disso, serão discutidas aplicações práticas da microbiologia espacial, incluindo o uso de microrganismos em sistemas de suporte à vida, reciclagem de resíduos, produção de alimentos, biorremediação e desenvolvimento de biotecnologias para missões de longa duração, como as missões para a Lua e Marte, que já estão em andamento. Nesse contexto, os extremófilos deixam de ser apenas modelos de vida extraterrestre em potencial e passam a ser aliados estratégicos para a permanência humana fora da Terra. Ao final, a palestra convida o público a refletir sobre uma ideia provocativa: se existe vida em outros lugares do Universo, ela provavelmente não será complexa, visível ou familiar, será microbiana. Assim, compreender os microrganismos que vivem nos limites da Terra pode ser o passo mais decisivo para entender a vida no cosmos.
Ministrantes: Mário de Pinna (MZUSP) - Lattes
Oferecimento: 07 de outubro, das 17h às 19h
Resumo: A palestra oferecerá uma visão geral da sistemática filogenética desde o trabalho fundamental de Hennig em 1966. Serão discutidas as bases que se mantiveram inalteradas desde sua incepção, assim como as várias ramificações e cisões metodológicas ocorridas no período. Especial atenção será dedicada às mudanças, avanços e, em alguns casos, aparentes retrocessos que transcorreram ao longo dos últimos 60 anos. Uma análise deste cenário mostra que o pensamento hierárquico-ramificativo ("tree-thinking") está solidamente inserido no pensamento biológico e que a sistemática filogenética se consolidou como a base essencial para toda a biologia comparada e evolutiva. A vastidão atual do campo apresenta desafios sem precedentes ao ensino do tema, que requer um tratamento integrativo no currículo das Ciências Biológicas tanto no nível universitário como nos pré-universitários.
Ministrantes: Krithi Karanth (Duke University; Centre for Wildlife Studies)
Oferecimento: 07 de outubro, das 17h às 19h
Ministrantes: Diego Paludetti (SindusFarma) - Lattes
Oferecimento: 05 de outubro, das 19h às 20h
Resumo: A palestra apresentará os conceitos básicos da logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso e de suas embalagens, abordando a importância do descarte correto para a proteção da saúde pública e do meio ambiente. Serão explicadas as principais etapas do sistema, desde a entrega dos resíduos pela população nos pontos fixos de recebimento até sua coleta, transporte e destinação final ambientalmente adequada. A atividade também apresentará um panorama da regulamentação brasileira, as responsabilidades dos diferentes participantes da cadeia e o funcionamento do Programa LogMed. Ao final, serão discutidos os principais desafios relacionados à conscientização da população, à ampliação dos pontos de recebimento e ao aprimoramento contínuo do sistema.
Ministrantes: Irana Coletti Malaspina - Lattes
Oferecimento: 9 de outubro das 14h às 17h
Resumo: Saiba como otimizar sua cultura com menos trocas de meio, maior eficiência e alto desempenho — seja para pesquisa ou aplicação clínica. O MSCulture Max está disponível em três versões para atender diferentes necessidades: grau de pesquisa para expansão de MSCs, xeno-free otimizado para expansão rápida e grau GMP para aplicações clínicas.
Ministrantes: Maria Cristina Arias - Lattes, Isabel Alves dos Santos - Lattes, André de Matos Alves - Lattes, Roger Berchielli Ponciano Cont - Lattes
Oferecimento: 08 e 09 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: As abelhas sem ferrão, ou meliponíneos, são abelhas eussociais que apresentam distribuição pantropical. Só no Brasil existem 330 espécies, mais da metade da diversidade total. São responsáveis pela polinização de 90% das plantas nativas da mata Atlântica e aquelas de interesse econômico. Além disso, produzem méis de diferentes sabores que são comercializados. Em vista disso, cabe a adoção de uma oficina na STBio que explore, sob diferentes olhares acadêmicos e profissionais, a preciosidade desses polinizadores. A Prof. Dra. Maria Cristina Arias contribuirá na oficina com sua expertise para o entendimento de aspectos biológicos e evolutivos, fundamentais para a discussão sobre a estrutura filogenética e genética populacional dessas espécies. A Prof. Dra. Isabel dos Santos traz sua experiência em ecologia de comunidades e populações, essenciais para construção de estratégias de conservação e manejo sustentável das abelhas sem ferrão. O Sr André, educador ambiental e meliponicultor, conduzirá a parte prática da oficina apresentando técnicas aplicadas à Meliponicultura. O mestrando Roger, em parceria com a monitora Eduarda Alde, irão demonstrar e auxiliar os alunos em uma prática de manufatura de iscas pet, discutindo as relações entre as características físicas da isca e os aspectos comportamentais das abelhas.
Ministrantes: Samira Rodrigues Miguel - Lattes
Oferecimento: 08 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: A oficina tem como objetivo introduzir os participantes à identificação de sementes nativas da Mata Atlântica a partir de uma abordagem ecológica e prática. Serão apresentados conceitos básicos de morfologia de sementes, síndromes de dispersão (zoocoria, anemocoria, autocoria e hidrocoria), grupos ecológicos e hábitos das espécies, relacionando as características das sementes às estratégias de sobrevivência das plantas e aos processos de restauração ecológica. A atividade busca estimular a leitura da ecologia da floresta através das sementes, discutindo sua importância para coleta, beneficiamento, produção de mudas, semeadura direta e conservação da biodiversidade. A oficina contará com uma parte prática de observação e comparação de sementes nativas, incentivando os participantes a reconhecer padrões morfológicos e ecológicos das espécies da Mata Atlântica.
Ministrantes: Rochely Morandini e Karen Naomi Okawa - Instagram
Oferecimento: 08 e 09 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: O Diário da Natureza é uma ferramenta para aprendizagem, pesquisa e conscientização ambiental. Baseada no comportamento dos grandes naturalistas e sua tradição de observar, registrar e promover a interação direta com a natureza. Uma atividade multidisciplinar que estimula o raciocínio crítico e favorece a construção de conhecimento a partir das vivências dos participantes. Presente em diversos países, adapta-se facilmente a diferentes áreas, de forma leve e conectada com a realidade, permitindo desenvolver habilidades de observação e investigação. A oficina inclui uma palestra introdutória, na qual abordaremos a origem, a metodologia e as diversas possibilidades do Diário da Natureza, e uma prática guiada para experimentar técnicas de registro, usando imagens (desenhos), palavras (textos) e números (dados coletados). Os diários são individuais, respeitando o ritmo e a expressão criativa de cada participante. Não há necessidade de conhecimento prévio. Venha conhecer e se inspirar!
Ministrantes: Alexandre Borin Pereira (IB-Unicamp) - Lattes e Maurílio Bonora Junior (IB-Unicamp) - Lattes
Oferecimento: 09 de outubro, das 9h às 12h
Resumo: A atividade consistirá em uma oficina de escrita de texto de divulgação científica, no formato de nota informativa (de canais como Polígono), e da apresentação do Blogs de Ciência da Unicamp, um dos maiores portais e repositórios de divulgação científica ligado a uma instituição pública do país, e agregador de blogs do Science Blogs Brasil. A oficina contará com uma breve explicação sobre a importância da produção científica escrita, repositórios, responsabilidade social pelo que se escreve, exercício do pensamento científico durante a escrita e por que blogs e outros veículos escritos ainda são importantes para a divulgação científica. Será apresentado como organizar e escolher uma pauta, a importância da delimitação de um público-alvo e a estrutura geral da proposta textual. A proposta de material final será de um texto entre quatro e cinco parágrafos curtos sobre algum dos temas dados como opções.
Ministrantes: Bruna Paino Barros e Caio Bueno Lopes - Atividade em parceria com o Instituto Buntantan.
Oferecimento: 9 de outubro, das 10h às 11h e das 11h às 12h
Resumo: Nesta atividade, os participantes terão a oportunidade de discutir sobre a diversidade da herpetofauna nativa brasileira, os ambientes que habitam, curiosidades sobre seus comportamentos e o papel fundamental desses animais na conservação do meio ambiente. Além disso, alguns animais vivos serão apresentados, ressaltando-se as características deles e os trabalhos desenvolvidos no Museu Biológico com essas espécies.
Ministrantes: Roberto Rozenberg - Lattes, Leonardo Luvison - Lattes, Federico Brown - Lattes.
Oferecimento: 09 de outubro, das 12h às 14h
Resumo: A Síntese Moderna da Evolução (SM) foi estabelecida no decorrer da primeira metade do século 20, integrando aspectos da genética mendeliana e da evolução darwiniana, culminando com a publicação, em 1942, do livro Evolution: The Modern Synthesis por Julian Huxley. Mais do que uma teoria científica, a SM marca uma época histórica em que questões ligadas à Eugenia protagonizaram a busca por uma ciência compartilhada pelos teóricos dos campos de conhecimento envolvidos. Autores como Ronald A. Fisher, Sewall Wright e John Haldane decifraram na genética de populações de seu tempo, as chaves para integrar visões da Biologia, inicialmente antagônicas e que permanecem centrais na Teoria Evolutiva contemporânea. Recentemente, avanços ligados à Epigenética, à Herança Ecológica, ao Viés de Desenvolvimento, à Plasticidade Fenotípica, às evidências de Evolução Genômica – como a Transferência Horizontal de Genes (THG) – e à Teoria de Sistemas de Desenvolvimento (TSD) levaram alguns pesquisadores a proporem a extensão da Síntese Moderna, para uma Síntese Evolutiva Estendida. Essa proposta de extensão não elimina, nem se propõe a superar a Síntese Moderna, mas simplesmente trazer um alargamento conceitual. No entanto, essa extensão têm sido recebida com ceticismo, por parte da comunidade científica, principalmente por trazer à tona fantasmas do "lamarckismo". Essa proposta mantém os princípios fundamentais da evolução, mas enfatiza o papel ativo dos processos de desenvolvimento e das interações organismo-ambiente na direção e no ritmo da evolução, além de gerar novas previsões e caminhos de pesquisa na biologia evolutiva. Essa mesa redonda propõe discutir esses aspectos e permitir aos estudantes uma atualização conceitual aberta das questões relevantes dessa importante discussão contemporânea.
Ministrantes: Rosana Louro Ferreira Silva - Lattes, Eduardo Murakami da Silva, Katia Pisciotta, Hélio dos Santos, Maria Henriqueta Andrade Raymundo.
Oferecimento: 06 de outubro, das 12h às 14h
Resumo: A mesa-redonda buscará apresentar práticas e abordagens de educação ambiental em diferentes contextos. No contexto não formal, a representante da coordenadoria de educação ambiental da Fundação Florestal, que gerencia as Unidades de Conservação do estado de São Paulo, apresentará as possibilidades da educação no contexto dos diferentes tipos de áreas protegidas. Na educação formal, o coordenador do Núcleo de Educação Ambiental da rede municipal de São Paulo apresentará as características da EA na rede municipal, seus processos formativos e elementos do currículo, espaços e práticas pedagógicas escolares. Outro elemento que será abordado é a pesquisa em educação ambiental que ocorre no GPEAFE - Grupo de Pesquisa em Educação Ambiental e Formação de Educadores, do departamento de Zoologia do IBUSP, apontando os principais aspectos das pesquisas do grupo, suas metodologias de investigação, as pesquisas colaborativas com a sociedade, a análise de alguns resultados de projetos atuais e a articulação entre ensino, pesquisa e extensão.
Ministrantes: Maíra Rodrigues da Silva - Lattes, Ana Maria do Espírito Santo Slapnik - Lattes, Michelle Barão de Aguiar - Lattes.
Oferecimento: 08 de outubro, das 12h às 14h
Resumo: A ciência moderna muitas vezes se apresenta como um campo neutro e universal, mas quem ocupa os laboratórios e define as perguntas de pesquisa? Esta mesa-redonda reúne pesquisadoras negras e indígenas para discutir como suas trajetórias e identidades transformam a Biologia. Do sequenciamento genético à conservação da biodiversidade e ao ensino de zoologia, as ministrantes debaterão os desafios de navegar em instituições historicamente excludentes, a importância da decolonização do currículo biológico e como a diversidade de perspectivas não é apenas uma questão de justiça social, mas um requisito fundamental para a excelência e inovação científica no século XXI.